domingo, 8 de novembro de 2009

Travessia

Não importa o quanto caminhamos em direção ao precipício
Há sempre um parapeito, pronto para nos livrar do suplício
Assassínio - de nós mesmos - não seria a solução mais aconselhável
Libertação das malditas noites insones... Quem sabe? Esqueçamos!


Esqueçamos essa sorrateira serpente que nos segue nas madrugadas
Superemos as madrugadas! Rondemos nossos silêncios mais mórbidos
Vasculhemos nas tralhas que aqui trazemos: Os vórtices velozes,
Aqueles que nos tragam, impiedosos, ao tédio furioso. Sádico e cíclico


Sibila o vento lá fora. Sussurra felizes lembranças de infância
Dançam folhas. Fuligens. Felicidades forasteiras de um tempo feliz
Suguemos o mel vindouro que nas narinas já podemos sorver
Sintamos suprimir toda a iniquidade que nos fizeram sofrer

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Quebro o Silêncio



Quebro o silêncio
De rubros desejos
Safira - Seus lábios
Intensos lampejos



Quebro o silêncio
Suspiros poéticos
Suspende o martírio
No escuro epilético

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Transfiguração

Quero
Transgredir-me para além de tudo que é sólido
Burocrático. Automático. Autocrático. Asmático
Metafórico. Bucólico. Meteórico. Melancólico

Transgredir-me-ei

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Quero
Transbordar-me em delírios, delícias, carícias
Desejos incensuráveis, atravessando as paredes
De minha comporta, gerando energia para o espaço infinito

Transbordar-me-ei

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

um escavador

Da relação dialética que tive ao experimentar a paixão e o ódio, nos últimos anos, acabei me aproximando um pouco mais da minha verdadeira natureza, e, de espantado passei a curioso, em pouco tempo. Não me assusto mais. Sou um escavador. Hoje sou a parcela mais humana, mais autêntica, que jamais pude me dar o luxo de ser. Mas sei que ainda há muita coisa a ser desenterrada. Algumas (poucas) jóias a serem descobertas e muito, muito esgoto a ser jorrado. As merdas d'alma escondidas instintivamente. Podre e belo como todo homem e mulher nessa terra. Eu busco a verdade. "Conhece a ti mesmo". Conhecendo a mim mesmo, conheço o outro. Sou um escavador. Meu trabalho é escavar. Busco diamante e ouro nas palavras, nos gestos. Mas também encontro carcaças em decomposição dos preconceitos, ainda se revirando dentro de mim. Até mesmo os mais subterrâneos, os mais sórdidos pensamentos quero descobrir. Porque sou um escavador e não posso mais parar. Não vou parar.

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domingo, 1 de novembro de 2009

Poema Horizontal

Escrevo como quem desdenha
Das solenidades da vida adulta
Nada será tão raso ou profundo
Que não caiba a palavra puta
Pois se há neste vasto mundo
Essa tal profissão meretrícia
Meu poema bem vagabundo
Falará de sua grande "astúcia"
Sobrevivendo como pode
Com sua horizontal perícia
De qualquer jeito se fode
Como toda a gente nessa vida  

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fiz o meu melhor

Na impossibilidade de prever o Imprevisível, ou mesmo de aprisioná-Lo na cela da indiferença, tropeçamos em nosso orgulho. Pedimos, então, para alguma Instância Superior que a coisa toda ocorra o mais suave possível. Mas isso também é impossível. Sim, nos importamos com o Imprevisto e queremos enganá-Lo. Queremos vencê-Lo. Queremos vencer. Sempre. Não há lugar para os indiferentes ou covardes. Todos nós almejamos, em proporções diferentes, a Felicidade. Ou o arremedo dela. É aí que esbarramos no Imprevisível. Claro, não é por isso que devemos cruzar os braços. É preciso fazer caprichar em tudo. Acreditar em nós mesmos e estarmos preparados para o pior, ou o melhor, como bem preferirmos. E se no fim de tudo, obtivermos o fracasso, poderemos nos reconfortar, mesmo que melancolicamente, sendo justos, dizendo: - Fiz o meu melhor...

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sábado, 24 de outubro de 2009

Neon

O fogo nos olhos, a chama do gesto. 
Vermelho-Outubro. Fogo!
P A I X Ã O
Quero-vejo-cheiro-sinto. Mas não toco. Não tenho dinheiro. Não posso
Também não peço! 
Não imploro. Não é coisa que se suplique ou implore. Esqueço
Volto a me lembrar. Volto a querer e a desejar
Morro acordado. Sonho de pé. Perco a fé
Pra continuar vivo mais um minuto
Vivo morrendo pelos cantos. Ruas e calçadas. Não é nada
N A D A
Não tenho dinheiro, não tenho músculos, não tenho influência
Apenas desejos. Quero aventuras. Quero ser mais
H O M E M 
Sou Axel Rose, Brad Pitty, David Beckham, James Bond
Onde estão minhas Bondgirls? Onde estão minhas bolas?
Ora bolas!
Sou um sonho e sonho o sonho de
C O N S U M O
Estou ligado a tudo que é artificial
Deliciosamente impossível. Antinatural 
Bloqueio a passagem do sol para usar minha luz neon
Onde estão minhas noites estreladas?
Quero morrer de tédio. Morrerei sem alma
S E M  C A L M A

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